domingo, 19 de março de 2017

Quero Ver...


Quero ver...
(Teresa Augusto Shanor)

Não pode entrar num buraco desconhecido
Quem já vive num buraco adquirido
Que nem sempre é o desejado
Mas é só o que tem e está definido
Assim sendo, não reclamemos
Não façamos lamentação
Buracos existem tantos
Que podemos escolher um então


Só resta saber se um nobre
Tem raça para entrar
Num buraco de maloca
E de miséria se fartar
Afinal grandes palácios
Costumam nos viciar
No luxo e na prepotência
Que ninguém quer abandonar


É mais fácil abandonar a guerra
Real nua e crua
Que a riqueza que cega
Deixando uma falsa estrutura


Vamos embora para a rua
Viver com a cara dura
Sem medo nem arrogância
Sentir o gosto da vida
Sem medo de ser criança.

21/02/2010


sábado, 18 de março de 2017

Queria, amor...


Queria, amor...
(Teresa Augusto Shanor)

Queria Amor, que estivesse comigo, aqui bem pertinho, para olhar em seus olhos e ver o brilho do seu olhar cintilando para mim, ver as curvas dos seus lábios a sorrir para mim, perceber o tremor escondido nas extremidades do seu sistema nervoso, num esforço custoso, controlar a musculatura de sua face, para não deixar transparecer a força avassaladora deste momento mágico.

Queria poder senti-lo bem pertinho, ouvir a sua respiração profunda e apertada no esforço de se fazer disfarçada; queria sentir o calor de suas mãos tocando as minhas, a textura de sua pele, a intensidade marcante e velocidade quase nula a me tocar, procurando sentir o ponto mais forte de minha energia vital, minha luz, que fundida à sua, se confundir e se tornar una.

Queria Amor, desligar-me do corpo e flutuar no éter ao seu lado, e então como Luz, de mãos dadas, transcender as sensações pesadas do corpo material e no toque nosso, descargas poderosas de energia a tudo iluminar e na amplidão do Universo, em mais vida transformar a energia contida em nós, e mundos, estrelas, galáxias criar.

Queria Amor, em sua energia misturar-me, me perder, me achar, e percorrendo os céus semear Luz, Paz e corações abrandar; queria correr como vento, de mãos dadas consigo a derramar, toda a força do nosso coração, que transbordando de Amor, sente necessidade de partilhar.

Queria Amor, toda a nossa luz espalhar, todos os caminhos iluminar, todas as dores acalmar e todos os que precisam confortar; e junto a ti, minhas forças então redobradas, se lançariam projetadas, sob a fusão do nosso amor, nossa união tão sagrada.

Queria Amor, só um beijo seu, um só abraço seu, um só cheiro seu, para não sentir este sabor de vazio ardente.

Queria...só por um instante!

E como não o tenho assim, então sonho, este sonho delirante.

17/02/2010

Imortal


Imortal
(Teresa Augusto Shanor)

Se a morte é só uma passagem, por que teme-la?

Por que nos apegamos a um pequeno planeta, quando temos  as estrelas ao nosso alcance?

Onde pousa nosso medo?

Será na nossa ignorância, afinal só confiamos no que podemos ver, não é?

Mas, se sabemos que há algo mais além da aparência física, por que a dúvida?

Acaso não sentimos a energia poderosa emanada pelo Universo nos mostrando outras possibilidades de vida mais amplas?

Acaso não sabemos que no final, todos, sem excessão, teremos que romper a nossa casca, que chamamos de corpo, e numa  total libertação, continuaremos a trilhar os caminhos da vida numa outra condição, mais fluídica, energética, e de acordo com o grau de nosso progresso ou estado de ignorância, voltaremos a ganhar nova casca para mais uma experiência, neste ou em qualquer outro planeta ou estrela?

E se somos imortais, o que haveremos de temer?

Com casca ou sem casca, seremos os mesmos.

Então...por que o medo? Por que a dúvida?

Não importa para que lado nos joguemos, ninguém escapa de  sua própria realidade, seja verdadeira ou imaginária, até que se cumpra a lei universal da perfeição.

E você, tem medo da morte?

É difícil dizer né...parecemos ratinhos fugindo de gatos.

E o final é igual para todos nós.

E como dizia Shakespeare:

"Ser ou não Ser, eis a questão".

16/02/2010

Tudo Nada...



Tudo ou Nada...
(Teresa Augusto Shanor)

Brincar, pular, burilar
Às vezes piadas contar
Chorar, se abrir confessar
Para depois novamente
Voltar a desafiar

E de novo brincar, gracejar
Num eterno cutucar
Fere, sopra, agrada beija
Por um minuto que seja
Pra de novo brincar e provar
Até onde um ânimo pode chegar

Isto é bom para crianças
Que não sabem se posicionar
Quando há maturidade
Sabe-se com simplicidade conquistar
Afinal só se conquista
Sendo verdadeiro e realista

Num jogo de poder
Perdem todos não há conquista
Jaz somente bestas infladas
Com suas mentes aeradas
Tudo Nada tudo vazio
Qual um terreno baldio.

14/02/2010

Fios de Ouro



Fios de Ouro
(Teresa Augusto Shanor)

Meu coração dança, balança, nas asas da imensidão
Dança o bailado das estrelas na mais alegre canção
Feliz em poder desfrutar dessa nova e linda estação
Onde pássaros cantam seu vôo de liberdade e agitação.

Ondas de luz coloridas, viajam em contradição
Pelos caminhos de minha vida, me causando perdição.
E sorrio de alegria, mergulhada em maresia
De um mar de nostalgia, que de repente se torna magia
Magia do reencontro de almas sedentas de vida
Soltas, plenas, transformando dor em alegria.

Há uma bela magia cada momento dessa vida
Reencontro amores perdidos, retomo minha fantasia
Adormeço na esperança e acordo com a alma vazia,
vazia de saudade e repleta em  doce presença.

14/01/2011

Fiz esse poema pensando em minhas duas netas Ana e Bianca, que há tanto tempo distantes, estão nesse momento a caminho para perto de mim. Decidiram num ímpeto passar uns dias comigo e resolveram não esperar nem mais um dia. Férias felizes.

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